O tratamento de canais dos dentes é um procedimento muito comum, porém com o tempo esse tipo de tratamento nem sempre é saudável...
Um dente com uma cárie muito profunda que começou a doer muito e a cárie atingiu a polpa do dente. Um dente que sofreu um trauma e ficou sem irrigação sanguínea na polpa. Um dente com uma restauração muito profunda. Um dente cujo canal necrosou (morreu). Essas são algumas das principais indicações para um tratamento de canal.
E o que realmente é o tratamento de canal?
O tratamento de canal consiste na remoção da polpa do dente quando esta está doendo (inflamada) e limpeza dos canais radiculares. Os canais radiculares são o espaço interno dos dentes que alojam a polpa dentária em seu interior. Porém, muitas vezes o tratamento de canal não é realizado quando a polpa ainda está viva. Pelo contrário, a maioria dos tratamentos de canal é realizada apenas depois que a polpa começou a se decompor, ou quando necrosou completamente. Uma polpa necrosada está contaminada por bactérias. Com o passar do tempo essas bactérias ativam o sistema imunológico contra esse dente, surgindo então uma inflamação crônica. As inflamações crônicas nem sempre são resolvidas com o tratamento de canais dos dentes, pois é praticamente impossível eliminar toda a contaminação por bactérias seguindo os meios convencionais. Essas bactérias voltam a crescer no interior desses canais e a inflamação reaparece.
No entanto, pesquisas demonstram que a limpeza dos canais realizada com ozônio apresenta resultados muito melhores, sendo possível preservar muitos dentes com o canal comprometido, desde que devidamente acompanhados durante o tempo.
O tratamento dos canais dos dentes (Endodontia) passou por muitas mudanças nos últimos anos, principalmente devido a novas tecnologias que possibilitam tratamentos mais rápidos e com menos risco de dor. Com o auxílio do microscópio operatório, que proporciona um aumento do tamanho do dente em até 20 vezes, os tratamentos realizados tornam-se muito mais previsíveis, com melhor limpeza e desinfecção dos canais a serem tratados, e facilitando o tratamento dos canais menores, que se não encontrados e obturados podem causar falhas do tratamento no futuro. A limpeza com ultrassom e instrumentos rotatórios evita o desgaste desnecessário dos dentes e facilita a limpeza dos canais. A aplicação de terapia fotodinâmica durante o tratamento, e LASER após o tratamento, pode também contribuir para um melhor resultado. Radiografias digitais também facilitam o tratamento.
Quanto ao risco de dor, atualmente existem anestésicos muito melhores e indicados para o tratamento dos canais. A Endodontia moderna possibilita com as novas tecnologias e materiais existentes muito mais possibilidades de se salvar dentes que de outra forma estariam perdidos, pois quando o dente realmente precisa do tratamento de canal e este não é realizado, com o tempo o problema vai piorando e pode-se perder o dente.
O canal inflamado ou infeccionado de um dente, caso não tratado corretamente, com o tempo desenvolverá uma inflamação crônica no organismo. Essa inflamação pode induzir ao surgimento de diversas outras alterações de saúde em outros locais do corpo, e isso é muito perigoso. Por esse motivo, dentes com tratamento de canal sempre deveriam ser acompanhados no mínimo uma vez ao ano. Os casos de inflamações crônicas em dentes com canal tratado e que não tenham tido solução fatalmente levam à perda do dente. Por isso é muitíssimo importante o acompanhamento por um endodontista.
Como saber se devo tentar tratar o canal do dente ou se devo extrair?
Devemos levar em consideraçäo alguns pontos antes de tomar a melhor decisäo. Muitas vezes o dilema é entre salvar o dente ou a saúde.
O dente já está com o canal morto? Se sim, apresenta inflamaçäo crônica na raiz? Se sim, então é melhor extrair.
A polpa do dente ainda está viva? Então é melhor tratar o canal e acompanhar. Provavelmente depois de algum tempo esse canal também será colonizado por bactérias, mas pelo menos foi possível o dente permanecer por mais tempo na boca.